Sacerdotes Infelizes

Acontece em todas as religiões e em todas as igrejas. Soa como catástrofe. Alguém sente-se chamado a ensinar caminhos de felicidade e promover ajustes e acaba infeliz e desajustado. O Deus que ele anuncia não funciona para ele. Está infeliz, é infeliz e não consegue fazer os outros felizes. Pode ser enfermidade, pode ser lacuna no processo de formação. Pouco estudado ou culto, o fato é que precisa de ajuda e não aceita. Acha que não precisa. Mas todo mundo vê que seu pregador não é feliz. Seus gestos e atitudes o traem.

Insatisfação com lugar, ministério, transferência, estudos, resposta do povo, bebida, expectativas frustradas, promoção que não veio, ingratidão, preterição, perda de motivação, rotina, abandono da leitura, abandono da prece, abandono da meditação, rotina dos sacramentos, sentimentos frustrados, tudo contribui para o azedume, o queixo caído, os sobrolhos crispados, as respostas bruscas, a impaciência, a ironia, as criticas, os queixumes e a murmuração.

E há o que persegue fama, diversão, mundanidades, conhece todos os vinhos, todos os pubs, todos os restaurantes finos, todos os teatros, todas as peças, todos os livros, todos os programas de televisão, mas tem dificuldade de atender o povo. Faz tempo que perdeu a gentileza e a paciência. E há o turista que viaja não para pregar, mas por viajar. E tira dias a três férias de 15 dias a pretexto de estudos que não faz. E há o sofredor, silencioso que faz tudo certo, mas por dentro não está feliz. Não sabe se lhe falta alguma coisa ou algum alguém. O fato é que não está feliz!

E há o investimento para os pais e para a irmã, o carro novo, a roupa estilizada, os amigos da alta roda, os ricos, os bajuladores, a indispensável cervejinha, as discussões, os gritos, as desfeitas, o silêncio e o mutismo…

Infeliz! Nada está bom, nada estará bom, nada vai dar certo. Lá ele não vai, isso ele não faz, desse jeito ele não quer! O bispo, o conselho, os superiores já nem não contam mais com ele. Deixam que faça o que quer, já que não faz o que deveria. E ele faz o que bem entende e, mesmo assim, não está satisfeito. Falta alguma coisa que com tanto estudo e leitura ele não sabe dizer o que é. Cria uma comunidade e conflita com ela. Funda uma igreja e conflita com ela. Católico, evangélico ou pentecostal, seus colegas de ministério não sabem mais o que fazer por ele.

Há o que prega bonito quando o chamam. Falar ele sabe. Viver é que ficou difícil. Os casais percebem e oram por ele. Colegas oram, amigos oram. Mas ele não se apruma! Se alguém está errado este alguém não é ele!

Já tentou falar sério com um deles? Então já sabe qual foi a resposta. Já tentou tirar da água alguém que perdeu as forças? Aconselhamento, direção espiritual, psicólogo? Quantos aceitam?

Faça de tudo para não perder a motivação dos primeiros dias e coloque na sua mente e no coração, se é que você distingue entre os dois, a idéia de que foi ordenado para ser segundo e para servir; nunca procurar os primeiros lugares nem conforto nem sonhar alto demais. Foi chamado para estar lá, com os mais carentes e com o povo; ajudar com ou sem maiores repercussões, com ou sem reconhecimento, com ou sem conforto e, se for o caso, sem troféu nem aplausos. Ser simples em tudo é uma salvaguarda poderosa contra a infelicidade. Não há fórmulas mágicas, mas a disponibilidade salva e direciona.

De um venerando sacerdote que passou a vida ouvindo e aconselhando sacerdotes, religiosos e religiosas insatisfeitos, ouvi, numa conferência, uma frase marcantes a respeito de felicidade e infelicidade: “São mistérios administráveis pelo desapego”. Não sei se entendi o alcance de sua filosofia, mas sei aonde quis chegar. Numa noite de tempestade faltou energia na casa e acendi uma pequeníssima lanterna que tinha de reserva. O pequeno facho da pequena lanterna foi o suficiente para eu concluir o meu trabalho. Meu computador tinha carga para cinco horas… Armazenar pode ser o verbo!…

Fonte: Pe. Zezinho

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Abortos Ocultos

A maioria das mulheres que usam pílulas anticoncepcionais não sabem da horrível realidade que se esconde por trás desta prática: Abortos Ocultos. Assista o vídeo e junte forças conosco nesta luta contra o assassinato silencioso de milhares de bebês.

Confissões de um antigo maçom

Bom, sempre soube que a maçonaria está enquadrada no que chamamos de ocultismo, e que não é aceito pela Igreja. Mas nunca me aprofundei muito, alguns amigos sempre me perguntam sobre, mas nunca tive muito pra dizer. Na minha família um tio meu estava se envolvendo com os maçons, não sei, mas acho que não foi uma experiência muito boa. O fato é que não sei bem o que acontece no meio maçom, e nem sei porque tantos maçons frequentem a igreja e suas pastorais sem nenhum problema (ou sei?).

Bom, esta entrevista que segue é de um “ex-maçom”, que revela em seu livro segredos da maçonaria! Difícil escutar o termo “ex-maçom”, mas também este escritor até ameaçado de morte foi. Talvez, mas muito talvez seja por isso. E não só por isso… (Vocês vão ver as vantagens na entrevista).

Obs.: É bom esclarecer que meus comentários são baseados nos fatos que a entrevista.

 Maurice Caillet, venerável de uma loja maçônica, revela segredos em «Eu fui maçom»

MADRI, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Maurice Caillet, venerável de uma loja maçônica durante 15 anos, revela segredos da Maçonaria em um livro recém-publicado por «Libroslibres», com o título «Yo fui mazón» («Eu fui maçom»).

Rituais, normas de funcionamento interno, juramentos e a influência na política desta organização secreta saem agora à luz, em particular as implicações do juramento que obriga a defender outros «irmãos» maçons.

O volume revela também a decisiva influência da Maçonaria na elaboração e aprovação de leis, como a do aborto na França, da qual ele, como médico, participou ativamente.

Caillet, nascido em Bordeaux (França) em 1933, especializado em Ginecologia e Urologia, praticou abortos e esterilizações antes e depois de obterem de amparo legal em seu país. Membro do Partido Socialista Francês, chegou a cargos de relevância na área da saúde pública.

– Quando você entrou oficialmente na Maçonaria?

– Maurice Caillet: No início de 1970 me convocaram para uma possível iniciação. Eu ignorava praticamente tudo acerca do que me esperava. Tinha 36 anos, era um homem livre e nunca me havia afiliado a sindicato nem partido político algum. Assim, pois, uma tarde, em uma discreta rua da cidade de Rennes, chamei à porta do templo, cuja frente estava adornada por uma esfinge de asas e um triângulo que rodeava um olho. Fui recebido por um homem que me disse: «Senhor, solicitou ser admitido entre nós. Sua decisão é definitiva? Você está disposto a submeter-se às provas? Se a resposta for positiva, siga-me». Fiz um gesto de acordo com a cabeça. Colocou-me então uma venda preta sobre os olhos, segurou-me pelo braço e me fez percorrer uma série de passarelas. Comecei a sentir certa inquietude, mas antes de poder formulá-la, ouvi como se fechava a porta detrás de nós…

– Em seu livro «Yo fui mazón», você explica que a maçonaria foi determinante na introdução do aborto livre na França em 1974.

Maurice Caillet: A eleição de Valéry Giscard d’Estaing como presidente da República francesa em 1974 levou Jacques Chirac a ser eleito primeiro-ministro, tendo este como conselheiro pessoal Jean-Pierre Prouteau, Grão-Mestre do Grande Oriente da França, principal ramo maçom francês, de tendência laicista. No Ministério de Saúde colocou Simone Veil, jurista, antiga deportada de Auschwitz, que tinha como conselheiro o Dr. Pierre Simon, Grão-Mestre da Grande Loja da França, com o qual eu mantinha correspondência. Os políticos estavam bem rodeados pelos que chamávamos de nossos «Irmãos Três Pontos», e o projeto de lei sobre o aborto se elaborou com rapidez. Adotada pelo Conselho de Ministros no mês de novembro, a lei Veil foi votada em dezembro. Os deputados e senadores maçons de direitas e esquerdas votaram como um só homem!

– Você comenta que entre os maçons há obrigatoriedade de ajudar-se entre si. Ainda é assim?

– Maurice Caillet: Os «favores» são comuns na França. Certas lojas procuram ser virtuosas, mas o segredo que reina nestes círculos favorece a corrupção. Na Fraternal dos Altos Funcionários, por exemplo, negociam certas promoções, e na Fraternal de Construções e Obras Públicas distribuem os contratos, com conseqüências financeiras consideráveis.

– Você se beneficiou destes favores?

– Maurice Caillet: Sim. O Tribunal de Apelação presidido por um «irmão» se pronunciou sobre meu divórcio ordenando custos compartilhados, ao invés de dirigir todos a mim, e reduziu a pensão alimentícia à ajuda que devia prestar a meus filhos. Algum tempo depois, após ter um conflito com meus três sócios da clínica, outro «irmão maçom», Jean, diretor da Caixa do Seguro Social, ao ficar sabendo deste conflito, me propôs assumir a direção do Centro de Exames de Saúde de Rennes.

– O abandono da maçonaria afetou sua carreira profissional?

– Maurice Caillet: Desde então não encontrei trabalho em nenhuma administração pública ou semi-pública, apesar de meu rico currículo.

– Em algum momento você recebeu ameaças de morte?

– Maurice Caillet: Após ser despedido de meu cargo na administração e começar a lutar contra esta decisão arbitrária, recebi a visita de um «irmão» da Grande Loja da França, catedrático e secretário regional da Força Operária, que me disse com a maior frieza que se eu recorresse à magistratura trabalhista eu «colocaria em perigo minha vida» e ele não poderia fazer nada para proteger-me. Nunca imaginei que poderia estar ameaçado de morte por conhecidos e honoráveis maçons de nossa cidade.

– Você era membro do Partido Socialista e conhecia muitos de seus «irmãos» que se dedicavam à política. Poderia me dizer quantos maçons houve no governo de Mitterrand?

– Maurice Caillet. Doze.

– E no atual, de Sarkozy?

– Maurice Caillet: Dois.

– Para um ignorante como eu, poderia dizer quais são os princípios da maçonaria?

– Maurice Caillet: A maçonaria, em todas as suas obediências, propõe uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade, ainda afirmando que esta é inacessível. Rejeita todo dogma e sustenta o relativismo, que coloca todas as religiões em um mesmo nível, enquanto desde 1723, nas Constituições de Anderson, ela erige a si mesma a um nível superior, como «centro de união». Daí se deduz um relativismo moral: nenhuma norma moral tem em si mesma uma origem divina e, em conseqüência, definitiva, intangível. Sua moral evolui em função do consenso das sociedades.

– E como Deus se encaixa na maçonaria?

– Maurice Caillet: Para um maçom, o próprio conceito de Deus é especial, e isso se menciona, como nas obediências chamadas espiritualistas. No melhor dos casos, é o Grande Arquiteto do Universo, um Deus abstrato, mas somente uma espécie de «Criador-mestre relojoeiro», como o chama o pastor Désaguliers, um dos fundadores da maçonaria especulativa. A este Grande Arquiteto se reza, se me permite a expressão, para que não intervenha nos assuntos dos homens, e nem sequer é citado nas Constituições de Anderson.

– E o conceito de salvação?

– Maurice Caillet: Como tal, não existe na maçonaria, salvo no plano terreno: é o elitismo das sucessivas iniciações, ainda que estas possam considerar-se pertencentes ao âmbito do animismo, segundo René Guenon, grande iniciado, e Mircea Eliade, grande especialista em religiões. É também a busca de um bem que não se especifica em nenhuma parte, já que a moral evolui na sinceridade, a qual, como todos sabemos, não é sinônimo de verdade.

– Qual é a relação da maçonaria com as religiões?

– Maurice Caillet: É muito ambígua. Em princípio, os maçons proclamam com firmeza uma tolerância especial para com todas as crenças e ideologias, com um gosto muito marcado pelo sincretismo, ou seja, uma coordenação pouco coerente das diferentes doutrinas espirituais: é a eterna gnose, subversão da fé verdadeira. Por outra parte, a vida das lojas, que foi minha durante 15 anos, revela uma animosidade particular contra a autoridade papal e contra os dogmas da Igreja Católica.

– Como começou seu descobrimento de Cristo?

– Maurice Caillet: Eu era racionalista, maçom e ateu. Tampouco estava batizado, mas minha mulher Claude estava doente e decidimos ir a Lourdes. Enquanto ela estava nas piscinas, o frio me obrigava a refugiar-me na Cripta, onde assisti, com interesse, à primeira missa de minha vida. Quando o padre, ao ler o Evangelho, disse: “Pedi e vos será dado: buscai e achareis; chamai e se vos abrirá”, aconteceu um choque tremendo em mim porque esta frase eu ouvi no dia de minha iniciação no grau de Aprendiz e a costumava repetir quando, já Venerável, iniciava os profanos. No silêncio posterior – pois não havia homilia – ouvi claramente uma voz que me dizia: “Pedes a cura de Claude. Mas o que ofereces?”. Instantaneamente, e seguro de ter sido interpelado pelo próprio Deus, só tinha a mim mesmo para oferecer. No final da missa, fui à sacristia e pedi imediatamente o batismo ao padre. Este, estupefato quando lhe confessei minha pertença maçônica e minhas práticas ocultistas, me disse que fosse ver o arcebispo de Rennes. Esse foi o início de meu itinerário espiritual.

Fonte: A Bíblia Católica OnLine

JMJ: Para estes milenares, a fé triunfa sobre o relativismo…

Se você tem esperança de que nossa geração ainda pode sair da ressaca (colapso social) que a geração dos anos 50 e 60  nos deixou, você não pode deixar de ler esse artigo. É de uma escritora americana do USA Today. Está imperdível!  Disso o Jornal Nacional não fala!
E aos meu amigos: Gente, eu sei que o texto é um pouco longo (bom, depende do ponto de vista), mas vamos deixar a preguiça de lado um pouquinho e fazer um esforço! rsrs
Uma multidão de jovens pelas ruas, cantando, dançando, abanando bandeiras de todo o mundo.
De repente uma figura diminutiva emerge de seu carro branco e eles entram em erupção, correndo para
encontrar o melhor lugar para ver este superstar internacional. Um ídolo do rock? Um atleta famoso? Um
político prodigioso?
Não: um senhor – mais para erudito que celebridade – que timidamente sorri para entender tanta
adulação.

Papa Bento XVI chegou nesta semana a Madri para uma semana de celebração marcada pela presença
de milhões de adolescentes e outros católicos de vinte e alguma coisa anos de idade na Jornada
Mundial da Juventude. O evento internacional oferece a jovens católicos a chance de aprender sobre a
fé e praticá-la juntos: Pense em Missa, leituras, orações e mais Missas.
]Mas esta não é uma conferência religiosa comum. A música é alta, as horas são tardes, os participantes
são jovens, diversificados e exuberantes.
Todo o espetáculo pode confundir aqueles que estão do lado de fora da Igreja: Por que estes jovens
iriam pertencer a uma menos celebrada, atrasada e opressiva instituição como a Igreja Católica
Romana? E por que eles iriam considerar o Papa Bento XVI, de 84 anos, não apenas amável mas
também uma inspiração? A resposta para estas questões está no descontentamento e no desejo de um
grupo peculiar da geração deste milênio.

O Retorno da Tradição

A primeira vista, estudos como o relatório de Pew 2010 sobre “Religião entre Pessoas deste Milênio”
parecem indicar que jovens católicos (idades entre 18-29 anos) são um exemplo da tendência de sua
geração em relação à indiferença religiosa. Para entender, eles são menos prováveis para ir às missas
semanais, muito menos rezar diariamente e menos ainda para considerar a religião “muito importante”
em relação a Católicos de 30 anos para cima. Ainda assim, os Católicos deste milênio que praticam
sim e valorizam sim sua fé estão fazendo algo estranho: eles estão liderando o renascimento da liturgia
tradicional Católica e as disciplinas que seus pais e avós abandonaram largamente.
Um estudo recente sobre ordens religiosas Católicas confirma esta tendência. Irmã Mary Bendyna,
membro das Irmãs da Misericórdia das Américas e diretora do centro filiado à Universidade Georgetown
que conduziu o estudo, sintetizou os achados para o The New York Times.
Comparado às gerações passadas, afirma ela, as pessoas deste milênio que consideram se tornarem padres ou freiras são “mais
atraídos ao estilo de vida religioso tradicional, onde há vida comunitária, oração comunitária, celebração
da Missa juntos, oração em comum da Liturgia das Horas (ciclo diário na Igreja de leituras das Escrituras
e orações)”. “Eles são mais propensos a dizer que a fidelidade à Igreja é importante para eles”,
acrescentou, “e eles definitivamente procuram por comunidades onde seus membros usem hábitos”,
aquela antiga veste usada por monges e freiras.
Substância e Sacrifício
Como membro desta estranha corte do milênio, eu também meditei sobre isso. Acho que a resposta vem
disto: o estilo liberal dos anos 60’s – dos códigos morais, das obrigações familiares, dos compromissos
religiosos – nos traiu.
Em algum lugar no século passado, surgiu um novo credo, dizendo que todos deviam fazer seu próprio
credo. Este sistema de crença tolerante, de mente aberta, parecia prometer liberdade: sexo seguro
com muitos parceiros, drogas e álcool rápidos e abundantes, divórcios sem justificativas. Então, os pais
da nossa geração, os dos anos 50 e 60’s, se divertiram muito e deixaram para nós somente a ressaca
do dia seguinte: corações despedaçados, lares destruídos e dependência química, além do crescente
aumento de depressão na adolescência e de suicídio.
A religião do “qualquer coisa serve” do final do século 20, não pode prevenir nem ao menos explicar
estas conseqüências. (Afinal de contas, se eu estou bem, se você está bem e nós podemos fazer o
que a gente quiser, por que então há tantas pessoas infelizes?) Quando cada membro da sociedade
faz o que quer que os faça se sentir bem, o inevitável resultado não é a plenitude pessoal e a harmonia
comunitária, mas o egoísmo e o colapso social.

Com estas realizações em mente, muitas pessoas deste milênio rejeitam os pressupostos do liberalismo
dos anos 60’s em favor de algo mais substancial: as crenças, as práticas e o código moral que definiu a
vida religiosa por séculos. Ao contrário do cientismo reducionista ou do romanticismo vago, as religiões
tradicionais propõem uma explicação específica e persuasiva para o mundo que está diante de nós –
partido, atormentado pelo sofrimento, escravizado, mas que ainda assim revela relances da
beleza e grandeza.
Mais intelectualmente coerente do que o relativismo, a ortodoxia é também mais exigente. Faz-nos
colocar os outros acima de nós mesmos, a verdade acima do que nós gostaríamos que fosse verdade, a
luta pela virtude acima da busca pelo prazer.Em uma palavra, prega o sacrifício.
Estes temas serão proeminente em Madri durante esta semana, quando Católicos de todas as
nacionalidades se reúnem para rezar e festejar. Então, por que eles estão felizes por serem Católicos?
Porque eles concluíram que os ensinamentos da Igreja são de fato verdadeiros e porque eles
reconheceram que a verdadeira liberdade está no sacrifício de si mesmo. Longe de repressivo, estas
realizações são – como milênios de outras crenças atestam – excitantes.
O papa Bento sabe que os jovens ponderam estas questões e desejam mais do que a cultura de hoje
oferece. Quando fala a eles, o papa não esmorece. Sua voz é calma, até mesmo gentil, mas ele não
tem medo de desafiar sua congregação. E ele está certo em o fazer: os jovens não precisam de outras
afirmações sem sentido sobre o seu valor. Eles querem uma explicação sobre como está o mundo e de
uma missão para mudá-lo. A pergunta que eles fazem não é mais “O que é que vai fazer com que eu
me sinta bem?, mas “O que é que vai fazer de mim uma pessoa boa e como eu posso fazer bem para o
mundo?”
Não importa no que você acredita, admita: Eles estão fazendo as perguntas certas!
Por Ana Williams, escritora do USA TODAY. Ela esteve presente por duas vezes na Jornada Mundial dos Jovens,
em 2005 e em 2008.

Existem pontos em comum entre ateus e religiosos para um saudável debate?

Li esse artigo e estou compartilhando… Tenho pensado mais sobre esse tema (ateísmo) ultimamente, pois tenho convivido com ele dentro da minha família. Interessante. Bom, o fato é que ainda acho que para nós cristãos, o relativismo e o secularismo, no próprio meio “cristão”, são muito mais preocupantes. Acho que a coerência do que se crê com o que se vive é fundamental. Eu, particularmente admiro  esse elemento do caráter em alguém, seja qual for a sua fé, mesmo não concordando com ela. Já o relatismo, isso sim considero um veneno, onde o homem não precisa ser coerente com nada, além da conveniência, não precisa nem sequer assumir ou acreditar que pra si tudo é relativo.

A minha fé não é uma variável que criei para mim, ela permanece a mesma apesar de meus dilemas e inconstâncias!

Mas enfim, leiam o texto, achei interessante!

Fonte: Veja

Uma ateia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.

Em seu novo livro, 36 Argumentos Para a Existência de Deus (Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais), Rebecca faz uma crítica ao radicalismo de ambos os lados. E um convite à conciliação. “Ateus têm que deixar o pedantismo de lado e parar de dizer como os religiosos devem pensar”, “E religiosos têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal.”

Mistura de romance, ensaio filosófico e divulgação científica, 36 Argumentos… é uma saborosa provocação – para crentes e descrentes – dividida em duas partes. Na primeira, conta a história do “ateu com alma” Cass Seltzer, um psicólogo subitamente famoso por causa de um livro em que refuta… 36 argumentos sobre a existência de Deus. Ao final da aventura de Seltzer, que inclui experiências transcendentais, um apêndice reúne os 36 argumentos e os desmonta, um a um, com base em razões da biologia, astronomia, geologia, matemática, filosofia…

A tensão entre a parte ficcional e os argumentos científicos faz de 36 Argumentos… uma divertida cilada para fanáticos de ambos os lados. “Incluí os aspectos emocionais da discussão filosófica no formato de romance para servir de contraste ao apêndice”, diz Rebecca. “Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre esses dois lados antagônicos.” Confira abaixo a entrevista:

Confira alguns dos argumentos a favor da existência de Deus refutados no fim do livro

De que Deus a senhora fala em 36 Argumentos…? É o Deus das religiões abraâmicas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo -, que tem três características principais. Primeiro, esse Deus existe fora do espaço e do tempo e decidiu criar o mundo e as leis da natureza a partir do nada. Segundo, ele tem um interesse moral nesse mundo — na diferença entre o bem e o mal, naquilo que devemos ou não fazer. Por fim, esse Deus interfere nesse mundo por meio de revelações, escrituras ou milagres.

A senhora acredita nesse Deus que acabou de descrever? Não. Penso que podemos estabelecer moralidade sem teologia. Mas amo a definição de Deus do filósofo holandês Spinoza (1632-1677). Ele admite experiências transcendentais, mas não as justifica a partir da existência de um Deus abraâmico. Para ele, Deus e a natureza — o próprio universo — são a mesma coisa.

É possível ser um “ateu com alma”, como o personagem principal de seu livro, o psicólogo Cass Seltzer? Sim, é possível. O que faz de Cass meu herói ateu é que ele se mostra aberto a experiências transcendentais. É esse amor pelo universo que se expressa tão facilmente como religião. É aquela sensação grandiosa, magnífica, difícil de verbalizar, que às vezes nos toma completamente. É o combustível da grande arte, por assim dizer. É algo que o mundo secular não consegue traduzir ainda. Mas isso é porque o idioma religioso está pronto. A humanidade está há milênios exercitando essa linguagem. Já a tradução secular dessas experiências ainda está sendo desenvolvida.

Existe alguma explicação racional para essas sensações transcendentais? Não acho que entendemos o suficiente a mente humana — ainda — para explicar por que somos capazes de experimentar essas coisas grandiosas. É uma área misteriosa. Contudo, não acho que isso coloque o ateísmo em contradição.

Em que diferem as experiências de ateus e religiosos? Filosoficamente, penso que temos muitas personalidades. Quando estamos lidando com questões que estão além de uma resposta definitiva, como a existência de Deus, então nossa ‘personalidade filosófica’ entra em cena. É a maneira como encaramos o mundo, a forma como nos orientamos. Algumas pessoas escolhem canalizar suas experiências transcendentais em termos religiosos. Outras, em termos seculares. Seja qual for a decisão tomada, precisamos considerar as limitações dos dois lados. Os seculares precisam entender os limites da ciência e tolerar os mistérios. Já os religiosos, que a ciência pretende dar respostas honestas sobre a natureza e não deturpá-la.

Existe um meio-termo? Com certeza. Mas primeiro os ateus têm que acabar com o pedantismo. Eles não têm que ensinar como as pessoas religiosas devem pensar. Isso é revoltante e tem que parar. Além disso, as pessoas religiosas têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso é falso – existe toda uma filosofia moral que fez muito bem ao mundo e nos tirou da idade das trevas, por exemplo.

Quando os dois grupos deixarem de fazer essas coisas, será ótimo. As pessoas poderão ver que o modo como enxergam o mundo é muito semelhante. Se você é religioso, tente se aproximar de um ateu e entender, sem reservas, como ele enxerga o mundo moralmente, independente de suas convicções fundamentais. Se for ateu, faça o mesmo com uma pessoa religiosa.

O seu livro seria então uma tentativa de pacificar o debate? Com certeza. E as reações das pessoas têm sido muito agradáveis. Tanto de pessoas muito religiosas quanto de ateus fervorosos. Acredito que isso acontece por causa da maneira como apresento os elementos desse debate. A ficção, nesse caso, é sorrateira. O romance é capaz de seduzir pessoas de ambos os lados e superar o preconceito. Ateus e religiosos acabam achando pontos em comum e no fim percebem que concordam mais do que discordam sobre o mundo.

Por que misturar a forma do romance com um apêndice científico? O apêndice do livro mostra como eu penso. Eu queria que ele exercesse uma tensão na história que o precede. É uma forma honesta de mostrar os argumentos mais comuns a favor da existência de Deus e as falácias de cada um deles. Já o romance retrata a emoção que envolve esse debate. A emoção raramente está presente nesses debates justamente por ser tão complicada de retratar. Isso depende do modo como vemos o mundo, as decisões que tomamos, nossa experiência de vida e assim por diante. Tudo isso fica fora das discussões filosóficas sobre a existência de Deus. Contudo, incluí a emoção no formato de romance para servir de contraste ao apêndice. Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre os dois lados antagônicos.

Alguns ateus consideram pessoas religiosas intelectualmente inferiores, e alguns religiosos consideram imorais os ateus. Qual a sua opinião? É algo muito, muito triste. As duas afirmações são falsas. Venho de uma família judaica muito religiosa. E muitos de meus parentes religiosos são muito mais espertos do que eu, que sou ateia. Por isso, sei que experimentar o mundo de um jeito religioso e colocar essas sensações na linguagem religiosa não é um sinal de inferioridade intelectual.

Onde a senhora acha que esse debate irá nos levar? Espero que o debate seja respeitoso e honesto. Que as pessoas consigam encontrar as semelhanças e trabalhar a partir daí. A civilização é tudo o que temos.