Sacerdotes Infelizes

Acontece em todas as religiões e em todas as igrejas. Soa como catástrofe. Alguém sente-se chamado a ensinar caminhos de felicidade e promover ajustes e acaba infeliz e desajustado. O Deus que ele anuncia não funciona para ele. Está infeliz, é infeliz e não consegue fazer os outros felizes. Pode ser enfermidade, pode ser lacuna no processo de formação. Pouco estudado ou culto, o fato é que precisa de ajuda e não aceita. Acha que não precisa. Mas todo mundo vê que seu pregador não é feliz. Seus gestos e atitudes o traem.

Insatisfação com lugar, ministério, transferência, estudos, resposta do povo, bebida, expectativas frustradas, promoção que não veio, ingratidão, preterição, perda de motivação, rotina, abandono da leitura, abandono da prece, abandono da meditação, rotina dos sacramentos, sentimentos frustrados, tudo contribui para o azedume, o queixo caído, os sobrolhos crispados, as respostas bruscas, a impaciência, a ironia, as criticas, os queixumes e a murmuração.

E há o que persegue fama, diversão, mundanidades, conhece todos os vinhos, todos os pubs, todos os restaurantes finos, todos os teatros, todas as peças, todos os livros, todos os programas de televisão, mas tem dificuldade de atender o povo. Faz tempo que perdeu a gentileza e a paciência. E há o turista que viaja não para pregar, mas por viajar. E tira dias a três férias de 15 dias a pretexto de estudos que não faz. E há o sofredor, silencioso que faz tudo certo, mas por dentro não está feliz. Não sabe se lhe falta alguma coisa ou algum alguém. O fato é que não está feliz!

E há o investimento para os pais e para a irmã, o carro novo, a roupa estilizada, os amigos da alta roda, os ricos, os bajuladores, a indispensável cervejinha, as discussões, os gritos, as desfeitas, o silêncio e o mutismo…

Infeliz! Nada está bom, nada estará bom, nada vai dar certo. Lá ele não vai, isso ele não faz, desse jeito ele não quer! O bispo, o conselho, os superiores já nem não contam mais com ele. Deixam que faça o que quer, já que não faz o que deveria. E ele faz o que bem entende e, mesmo assim, não está satisfeito. Falta alguma coisa que com tanto estudo e leitura ele não sabe dizer o que é. Cria uma comunidade e conflita com ela. Funda uma igreja e conflita com ela. Católico, evangélico ou pentecostal, seus colegas de ministério não sabem mais o que fazer por ele.

Há o que prega bonito quando o chamam. Falar ele sabe. Viver é que ficou difícil. Os casais percebem e oram por ele. Colegas oram, amigos oram. Mas ele não se apruma! Se alguém está errado este alguém não é ele!

Já tentou falar sério com um deles? Então já sabe qual foi a resposta. Já tentou tirar da água alguém que perdeu as forças? Aconselhamento, direção espiritual, psicólogo? Quantos aceitam?

Faça de tudo para não perder a motivação dos primeiros dias e coloque na sua mente e no coração, se é que você distingue entre os dois, a idéia de que foi ordenado para ser segundo e para servir; nunca procurar os primeiros lugares nem conforto nem sonhar alto demais. Foi chamado para estar lá, com os mais carentes e com o povo; ajudar com ou sem maiores repercussões, com ou sem reconhecimento, com ou sem conforto e, se for o caso, sem troféu nem aplausos. Ser simples em tudo é uma salvaguarda poderosa contra a infelicidade. Não há fórmulas mágicas, mas a disponibilidade salva e direciona.

De um venerando sacerdote que passou a vida ouvindo e aconselhando sacerdotes, religiosos e religiosas insatisfeitos, ouvi, numa conferência, uma frase marcantes a respeito de felicidade e infelicidade: “São mistérios administráveis pelo desapego”. Não sei se entendi o alcance de sua filosofia, mas sei aonde quis chegar. Numa noite de tempestade faltou energia na casa e acendi uma pequeníssima lanterna que tinha de reserva. O pequeno facho da pequena lanterna foi o suficiente para eu concluir o meu trabalho. Meu computador tinha carga para cinco horas… Armazenar pode ser o verbo!…

Fonte: Pe. Zezinho

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